O "mas" e os discípulos


O discípulo aplicado assevera: 

-De mim mesmo, nada possuo de bom, mas Jesus me suprirá de recursos, segundo as minhas necessidades. 

- Não disponho de perfeito conhecimento do caminho, mas Jesus me conduzirá. 

O aprendiz preguiçoso dirá: 

- Não descreio da bondade de Jesus, mas não tenho forças para o trabalho cristão. 

- Sei que o caminho permanece em Jesus, mas o mundo não me permite segui-lo. 

O primeiro galga a montanha da decisão. Identifica as próprias fraquezas, entretanto, confia no Divino Amigo e delibera viver-lhe as lições.

O segundo estima o descanso no vale fundo da experiência inferior. Reconhece as graças que o Mestre lhe conferiu, todavia, prefere furtar-se a elas.

O primeiro fixou a mente na luz divina e segue adiante. O segundo parou o pensamento nas próprias limitações.

O "mas" é a conjunção que, nos processos verbalistas, habitualmente nos define a posição íntima perante o Evangelho. Colocada à frente do Santo Nome, exprime-nos a firmeza e a confiança, a fé e o valor, contudo, localizada depois dele, situa-nos a indecisão e a ociosidade, a impermeabilidade e a indiferença. 

Três letras apenas denuncia-nos o rumo. 

- Assim recomendam os meus princípios, mas Jesus pede outra coisa.

- Assim aconselha Jesus, mas não posso fazê-lo.

Através de uma palavra pequena e simples, fazemos a profissão de fé ou a confissão de ineficiência.

Lembremo-nos de que Paulo de Tarso, não obstante apedrejado e perseguido, conseguiu afirmar, vitoriosa, aos filipenses: "Tudo posso naquele que me fortalece."


Pão Nosso - Francisco Cândido Xavier - Emmanuel

 

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